"Nem eu nem ninguém pode viajar essa estrada por você. Você deve atravessá-la sozinho"

Walt Whitman

sexta-feira, 11 de março de 2011

Viagens significativas

Foto: Pereje (etapa Villafranca / O Cebreiro)


" A viagem real não consiste em buscar novas paisagens, mas em buscar uma nova forma de ver"

Marcel Proust

sábado, 5 de março de 2011

Jesús Arias Jato



"A rede de albergues de Castilla e Leon faz uma homenagem a Jesus Jato, hospitaleiro do albergue Ave Fenix, de Villafranca del Bierzo, no próximo dia 5 de março, sábado. Haverá uma missa na Colegiata, às 12 horas e uma reunião no próprio albergue, depois da missa. Parabéns, amigo Jato!"

email de Clinete Lacativa
Confraria do Glorioso Apostolo Santiago do Rio de Janeiro
www.confrariaapostolosantiago.com.br

Jesús Arias

Una vida consagrada al peregrino jacobeo

Por Juanjo Alonso

"O turista exige, o peregrino agradece", é um dos pensamentos que adornam as paredes do albergue de peregrinos Ave Fénix, em Villafranca del Bierzo - Léon - ninho de hospitalidade, entrega e proteção antes de começar a etapa mais difícil do Caminho de Santiago, as ladeiras da montanha de O Cebreiro. O Ave Fénix é um histórico e emblemático refugio do Caminho de Santiago, mas acima de tudo é um sonho tornado realidade de Jesús Arias jato. Um homem que dedicou a sua vida à peregrinação de Compostela. Construiu com suas próprias mãos as paredes e o telhado de um edifico sobre as ruínas de uma sinagoga e outros vestígios da época romana. Marco fundamental na vida andante de peregrinos durante a sua peregrinação sobre o caminho das estrelas. Poeta, artista visionário, pedreiro, construtor, orador ou massagista, quando necessário, Jesús Jato é uma pessoa humilde, sociável com seus 63 anos repletos de alegria, experiência e hospitalidade. Atualmente está tramitando na ordem de recursos para que Jato, como é popularmente conhecido, torna-se o primeiro nome de suas 6 filhas. Quem sentiram o poder das suas mãos percorrer o corpo para aliviar a doença ou sesão dizem que ele é também um curandeiro e ou um mago. Jato responde que simplesmente através de seus dedos canaliza as energias da natureza para afastar as vibrações ruins que os peregrinos tomam passo a passo no caminho, e que se concentram em diversos músculos, ossos e tendões.



quinta-feira, 3 de março de 2011

Planilha das etapas no Caminho Francês


Em 2010, realizei o velho sonho de percorrer o chamado "Caminho de Santiago". Na realidade são vários os caminhos que levam os peregrinos à cidade de Santiago de Compostela, na Espanha. O mais conhecido é o caminho Francês. Abaixo a minha planilha das etapas percorrida em 30 dias.

De

Para

Data

Km

1)

Roncesvalles

Zubiri

27/03/2010

22

2)

Zubiri

Pamplona

28/03/2010

22

3)

Pamplona

Puente La Reina

29/03/2010

30 (*)

4)

Puente la Reina

Estella

30/03/2010

24

5)

Estella

Los Arcos

31/03/2010

22

6)

Los Arcos

Logroño

01/04/2010

29

7)

Logroño

Nájera

02/04/2010

30

8)

Nájera

Sto Domingo

03/04/2010

23

9)

Sto Domingo

Belorado

04/04/2010

23

10)

Belorado

San Juan Ortega

05/04/2010

25

11)

San Juan Ortega

Burgos

06/04/2010

27

12)

Burgos

Hontanas

07/04/2010

31

13)

Hontanas

Boadilla

08/04/2010

30

14)

Boadilla

Carrión

09/04/2010

25

15)

Carrión

Terradillos

10/04/2010

27

16)

Terradillos

Bercianos

11/04/2010

22

17)

Bercianos

Mansilla

12/04/2010

27

18)

Mansilla

León

13/04/2010

18

19)

León

Órbigo

14/04/2010

34

20)

Órbigo

Sta Catarina

15/04/2010

26

21)

Sta. Catarina

El Acebo

16/04/2010

28

22)

El Acebo

Ponferrada

17/04/2010

15

23)

Ponferada

Villafranca

18/04/2010

22

24)

Villafranca

O Cebreiro

19/04/2010

28

25)

O Cebreiro

Samos

20/04/2010

30 (*)

26)

Samos

Sárria

21/04/2010

19

27)

Sárria

Gonzar

22/04/2010

31

28)

Gonzar

Melide

23/04/2010

32

29)

Melide

Pedrouzo

24/04/2010

35

30)

Pedrouzo

Santiago

25/04/2010

20


(*) Na etapa entre Pamplona e Puente La Reina, resolvi desviar do caminho original na cidade de Muruzabal, para conhecer a Igreja de Santa Maria de Eunate, depois retornei para a cidade de Obanos pelo caminho Aragonês (um desvio em torno de 8 km)

Na etapa entre O Cebreiro e Samos, também optei em esticar um pouco mais a etapa até a cidade de Samos, por cerca de 14 km da cidade de Tricastella. Ao chegar em Tricastella o peregrino tem duas opções para alcançar a cidade de Sárria. Uma via Samos e a outra via San Xil.




sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Palencia: etapa entre Burgos e León

Foto 01 - Marco divisório da Provincia de Palencia

Esta etapa atravessa a “Meseta Castellana” pelas províncias de Burgos, Palencia e León, considerada por muitos peregrinos como a mais “pesada e cansativa”. Seus atributos desencorajadores advêm do fato de que a região é formada praticamente por campos e planícies, com existências de poucos arbustos em sua topografia. Então, a depender da estação climática, caminhar sob um sol forte e muito calor, a etapa se tornara arrastada e difícil.

“[...] a caminhada entre Carrión de los Condes e Sahagún foi uma das mais árduas e terrivelmente monótonas que já fiz na vida. Caminhava através da meseta plana. Quilômetros e quilômetros de trigo e milharais me cercavam.” Shirley MacLaine.

Após cruzar a ponte sobre o Rio Pisuerga, adentra-se na província de Palencia. Mas antes uma construção retangular chama a atenção dos peregrinos mais atentos. É a Eremita de San Nicolás del Puente Itero, do século XIII que serve como albergue e promove a noite o ritual do lava-pés em seus hospedes (Fotos 01 a 05)

“[...] Eram quase cinco horas da tarde quando viu ao longe o singelo edifício de São Nicolau, do qual muitos peregrinos passam ao longo, sem saber de sua curiosa liturgia. O pequeno albergue é provavelmente o mais cativante do Caminho. Consta que suas origens remontam ao século XIII e teria sido fundado pela Ordem de Malta. Durante séculos ficou abandonado, vindo a ser restaurado pela Confraria de São Tiago” A. J .Barros. p.296

Em Boadilla del Camino, pequeníssimo pueblo, próximo a Igreja de Santa Maria, se encontra o melhor exemplo de obeliscos do século XV, uma coluna em estilo gótico tardio, o rollo jurisdicional de Castilla, simbolizava o poder jurídico na comarca e servia para aprisionar os réus. (Fotos 06 a 09). É também nesse povoado, que o peregrino encontra um dos refúgios mais acolhedor da rota; “[...] um verdadeiro oásis de descanso e serenidade. Excelentes instalações, boas camas, banho quente e um lindo jardim interno entre as construções medievais que foram recuperadas e restauradas para dar lugar às atuais instalações da hospedaria e de um restaurante anexo”, como escreveu o Sérgio da família Brito. (Foto 10).

Entre Boadilla e o povoado de Frómista (Palencia) o caminho margeia o extenso canal de irrigação, no qual atravessamos um sistema de eclusas, iniciada por Carlos IV, em 1791 e concluída em 1849. O canal de Castilla era usado como um sistema de transporte nas quais mulas amarradas, de cada lado do canal, puxava as barcaças em um trajeto de 207 quilômetros, no século XVIII. (Fotos 16 a 19).

Na passagem para Carrión de los Condes, o peregrino que vê também no seu processo de peregrinação uma oportunidade de elevação cultural e de acréscimos aos conhecimentos históricos, deve fazer uma ligeira visita as cidades de Fromísta e de Villalcázar de Sirga.

Em Fromísta o peregrino encontra um dos mais antigos albergues do caminho, funcionando há mais de 400 anos. Nessa cidade, convém deter-se um pouco mais. Foi um importante centro agrícola romano, chamado Frumesta, pela sua abundância em grãos. Nela encontramos entre as igrejas, na parte mais alta da cidade a Eremita de Santa Maria del Castillo e a de San Martin, um dos belos exemplos do românico do Caminho, e em Villalcázar de Sirga, encontramos a Igreja de La Virgen Blanca, imponente construção do século XI, com ampla escadaria frontal. O portal norte é ornamentado com belas esculturas em estilo românico (Fotos 20 a 23).

“[...] A Igreja de San Martin de Fromista estava mais para um templo de iniciados do que para uma igreja cristã. Erigida em 1066, suas três naves paralelas são cortadas por um transepto sobre o qual o signo octogonal domina o ambiente. Toda a sua construção é um mistério e o simbolismo do teto sugere a criação de códigos e significados”. A. J. Barros, p.309 (Foto 24)

Carrión de los Condes, Sahagún, a primeira grande cidade do Caminho na província de León, nela se observa outro belo exemplo da arte românica do Caminho, a Igreja de San Lorenzo, formando bandas horizontais o axadrezado que, inaugurado em Jaca, chegaria quase a ser um sinal de identidade da arte da peregrinação. Pode ser considerada um dos protótipos da arte medieval espanhola, (Fotos 25 a 29)

E Mansilla de las Mulas (vide postagens anteriores) onde está ainda em pé uma parte das muralhas medievais. Todas são cidades profundamente ligadas à peregrinação e merecem uma visita (Fotos 30 a 34), assim como a pequena Bercianos del Real Camino, com um dos albergues mais simples do caminho, mas que procura superar a sua diferença através do acolhimento, entre o jantar e a contemplação de um belo por do sol compartilhados (35 a 38).

Referencias bibliográficas.

BARROS, A. J. O enigma de Compostela. São Paulo: Geração Editorial, 2009.

BRITO, Sergio Jose de. O caminho de Santiago de Compostela: Rota do Novo Milênio. Curitiba: 2000.

MACLAINE, Shirley. O Caminho: uma jornada do espírito. Tradução de Renata Catanhede Amarante. Rio de Janeiro: Sextante, 2000, p.145

I - Palencia: etapa entre Burgos e León

Foto 02 - Eremita de San Nicolás del Puente Itero

Foto 03 - Tipos de informações encontradas no Caminho de Santiago de Compostela

Foto 04 - Paisagem das "Meseta Castellana"

Foto 05 - "Andaderos" paralelos as "Carreteras" na Meseta Castellana

II - Palencia: etapa entre Burgos e León

Foto 06 - Ponte sobre o Rio Pisuerga - Divisa entre as províncias de Burgos e Palencia

Foto 07 - Vista de Boadilla del Canino

Foto 08 - Vista da Igreja da la Asunción em Boadilla del Canino
Foto 09 - Igreja de la Asunción e Rollo Gótico em Boadilla del Canino

Foto 10 - Jardim interno do Albergue En el Canino - Boadilla

III - Palencia: etapa entre Burgos e León

Foto 11 - Portão de entrada do Albergue En el Canino - Boadilla

Foto 12 - Casa principal - Albergue En el Canino - Boadilla

Foto 13 - Instalações dos dormitórios e jardim interno do Albergue En el Canino - Boadilla

Foto 14 - Refeitório do Albergue En el Canino - Boadilla

Foto 15 - Sala de Estar do Albergue En el Canino - Boadilla

Albergue En el Camino - Boadilla

O refúgio é mantido por uma família, que transformou sua casa de veraneio em uma hospedaria para peregrinos. A manutenção é tarefa de todos, pai, mãe e filhos. Tem como referencia o anfitrião Dudu, um dos membros da família que acolhe todos os peregrinos com a máxima atenção e dispensa um carinho especial para os brasileiros.

Um espaço no qual o velho ditado: “As aparências enganam” é colocado em cheque logo na primeira vista. Um velho portão, reciclado de demolição, é a porta de entrada para as instalações internas, na qual deslumbramos um imenso jardim ornamentado com flores e obras de artes.

A área do Albergue "En el Canino", além do jardim e da excelente instalação que compõe os dormitórios, existe a casa principal que funciona como recepção e sala de refeições, cujas salas são decoradas com inúmeras fotografias e pinturas. No refeitório as telas assinadas por Dona Begoña, matriarca da família, ornamenta o ambiente familiar, alegre e acolhedor. (Fotos 11 a 15)