"Nem eu nem ninguém pode viajar essa estrada por você. Você deve atravessá-la sozinho"

Walt Whitman

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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Caruru de São Cosme

Festa do Caruru no Odeere - Orgão de Educação Étnica da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia - Jequié




segunda-feira, 21 de março de 2011

21 de Março - Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial

Foto - Homenagem a Damário Dacruz

No dia 21 de março de 1960, em Johanesburgo - África do Sul, mais de 20.000 pessoas protestavam contra a Lei do Passe (que obrigava os negros portar um documento que restringia sua circulação no próprio país), foi duramente reprimida pela a polícia do regime do Regime Racista do apartheid, matando 69 pessoas e ferindo 186. Neste dia é celebrado mundialmente como o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial, em referência ao Massacre de Shaperville.


terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Festa de Iemanjá - Rio Vermelho - Salvador/Bahia


Foto: Procissão de N. Sra. dos Mares de Amaralina chegando ao Rio Vermelho. 1930
Arquivo Biblioteca Juracy Magalhães Júnior.
Livro "O Rio Vermelho e suas tradições" página 31

Iemanjá

Divindade das águas, tida como mãe de todos ou outros orixás. Na África, era um rio que para fugir de seu marido desembocou no mar, onde passou a viver junto de sua mãe Okun. No Brasil, é cultuada sobretudo no mar, sendo associada com outros “encantados” das águas, de origem indígena. Daí ser louvada também como a Rainha do Mar, Janaína, Mãe D´Água, Sereia, Iara, entre outras. No rito Jeje, a divindade da água salgada é Abe, representada pela estrela guia que caiu no mar. No rito angola, o mar é representado por Mãe Danda (Dandalunda ou Quissimbe). Devido à relação de Iemanjá com a maternidade, seu culto no Brasil foi aproximado ao de Nossa Senhora em suas várias louvações; mais precisamente, N.Sra. da Conceição e N. Sra. dos Navegantes.

A festa do Rio Vermelho é uma tradição mantida por iniciativa de alguns pescadores daquela localidade que se uniram como forma de não deixar que sua comemoração ou festa caísse no esquecimento como aconteceu com as das outras localidades como da Barra e da Amaralina, conforme conta Licídio Lopes, no seu livro “O Rio Vermelho e suas tradições”.

[...] Juntaram-se alguns pescadores comentando, quando um, por nome Alípio, que era apelidado Alípio Capenga (tratavam assim porque ele tinha uma perna paralítica), conversando com outros disse: Precisamos fazer uma festa para nós, não podemos ficar assim, já não podemos tomar parte nas festas do Rio Vermelho que os brancos tomaram conta. Uma hora dessa acaba, como as da Barra e de Amaralina; nós que temos responsabilidade com o Rio Vermelho, vamos fazer nossa festa separado. Os outros perguntaram: “Como?” Ele respondeu: “No dia 2 de fevereiro, que é dia de Nossa Senhora das Candeias, vamos nos organizar e dar um presente a Mãe d`Água”. Os outros aprovaram. Foi assim que nasceu a idéia do presente a Iemanjá, que hoje é uma das maiores festas populares da Bahia.

Os primeiros responsáveis pelas festas foram três pescadores: Alípio Capenga, Saturnino apelidado de Salu, e Florentino apelidado de Fulô e também Olavo e Clemente Tanajura, sendo que os dois últimos não eram pescadores, eram peixeiros, negociavam com peixe. Estes cinco, auxiliados pelos outros pescadores, conseguiram uma caixinha de papelão, cada um botou seu presente que constava de perfumes, pós-de-arroz, sabonetes, espelhos e outras coisas, botaram a caixinha dentro de um balaio, enfeitaram com muitas flores e fitas, fizeram muitos pedidos para Iemanjá ajudar, botaram no saveiro com bandeiras de papel, onde embarcaram os encarregados do presente. Outras embarcações levaram outros pescadores e as famílias, e os amigos que quiseram embarcar; foram batendo palmas, cantando sambas e soltando muitos foguetes. Quando chegaram no lugar apropriado, o saveiro que levava os presentes, que ia na frente dos outros, estancou a carreira, botaram as flores no mesmo lugar. Voltaram, chegaram em terra, fizeram um samba de roda, se divertiram até alta noite. Assim realizou-se o primeiro presente a Iemanjá no Rio Vermelho*

(*) Os primeiros presentes de Iemanjá foram realizados no bairro do Rio Vermelho, durante a década de 20.

LOPES, Licídio. Rio Vermelho e suas tradições; memórias. Salvador. Fundação Cultural do Estado da Bahia, 1984, página 60.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

III - Viagem do Curso de Extensão em Culturas Afro-brasileiras

Depois da visita as ruínas da Igreja da Encarnação de Passé o grupo foi visitar a fonte milagrosa de Nossa Senhora de Candeias


Escadaria da Fonte Milagrosa de Nossa Senhora de Candeias



II - Viagem do Curso de Extensão em Culturas Afro-brasileiras

Visita das ruínas da Igreja N.S. da Encarnação de Passé
Alunos e professores do Colégio Duque de Caxias de Jequié



Acompanhando os alunos do Curso de Extensão de Culturas Afro-brasileiras da UESB / Odeere, o Colégio Duque de Caxias também aproveitou da viagem para mostrar aos seus alunados um pouco da cultura afro-brasileira já que o colégio está localizado em Jequié, no bairro do Barro Preto, área reconhecida como sendo remanescente de um quilombo.

I - Viagem do Curso de Extensão em Culturas Afro-brasileiras

Visita a Igreja Senhor do Bonfim

Igreja do Senhor do Bonfim

Sede da Associação das Baianas do Acarajé

Festas de Santa Bárbara

Nesse final de semana, de 04 a 06 de dezembro de 2010, foi realizada mais uma viagem a Salvador e municípios do Recôncavo Baiano, orientada pelo Odeere – Órgão de Educação e Relações Étnicos da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia – UESB Campus de Jequié, como parte integrante do Curso de Extensão em Culturas Afro-brasileiras.

Festa de Santa Bárbara - Salvador/Bahia



No dia 4 de dezembro a religiosidade do povo baiano serve, mais uma vez, como exemplo de tolerância ao mundo, quando uma santa católica comunga a mesma identidade de uma entidade essencialmente africana. É assim que católicos, adeptos do candomblé, umbanda e outras religiões celebram Santa Bárbara e Iansã numa das festas mais disputadas do calendário religioso de Salvador.

As comemorações inicia, como em outras festividades religiosas, com uma alvorada de fogos às 5 horas da manhã. As 7 horas, acontece na Igreja de Nossa senhora do Rosário dos Pretos uma missa. Devido ao numeroso público, é realizada também uma missa campal as 10 horas, finalizando com uma procissão, quando a imagem de Santa Bárbara deixa a igreja seguindo em direção ao quartel de bombeiros na Barroquinha, onde faz uma parada para seguir adiante até o Mercado de Santa Bárbara onde é servido um caruru para a população.

O caruru de Santa Bárbara é realizado em diversas localidades da Cidade, alguns batem recorde na quantidade de quiabos anualmente. A devoção à Santa Bárbara, padroeira dos bombeiros, enche as ruas de vermelho, incendiando as ruas com fé, regada a comida, samba-de-roda e muita cerveja.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

CARURU DE SÃO COSME E SÃO DAMIÃO


A festa do caruru dos Ibêjis, também chamada de caruru dos Bejis, caruru dos Erês, caruru dos Mabaços (1), caruru de Cosme e Damião ou simplesmente caruru de Cosme, na Bahia, “comem de um todo”, abóbora cozida, acarajé, abará, arroz branco, batata doce, caruru, farofa-de-dendê, feijão de Omolu (feijão preto), feijão de azeite ou Omolocum, Moqueca de peixe, milho vermelho, milho branco, pipocas, roletes de cana, raspadura, vatapá, xinxim de galinha. Comemorada no dia 27 de setembro, é um momento de descontração e alegria farta.

O caruru, servido no rigor dos terreiros, é acompanhado de preceitos que viram ações propiciatórias das divindades gêmeas que, são filhos de Xangô com Iansã ou de Xangô com Oxum, segundo mitos que permaneceram na Bahia, “Iansã só fez parir os Ibêjis, Oxum foi que os criou”, conforme informações do professor Vivaldo da Costa Lima.

Os atabaques e as palmas fazem os ritmos da festa; O caruru é colocado sobre a esteira. As crianças são convidadas a comer do caruru, e todos, ao mesmo tempo. Ritual que rememoriza fartura, ancestralidade e vida sagrada. Viagem imaginária que revela informações de um Brasil sagrado pelas permanências africanas.

(1) [...] lembrando que a palavra mabaças, significando precisamente “os gêmeos da casa”, é um termo que veio do Kimbundu, um dos falares de Angola. Babaço, para um dos gêmeos. Mabaça, para os dois gêmeos, como indica o prefixo formador do plural nas línguas bantos”. Lima, Vivaldo da Costa. Cosme e Damião: o culto aos santos gêmeos no Brasil e na África. Salvador: Corrupio, 2005, p.11.

(I) CARURU DE SÃO COSME E SÃO DAMIÃO

Comidas votivas ou ritualísitcas






Foto Peixe

"O peixe identifica no texto visual dos terreiros as iás deusas, mães das águas, sendo um dos alimentos votivos mais significativos dos orixás, voduns e inquices que habitam os rios, lagos, cachoeiras, regatos, mares e pântanos, ampliando-se nas chuvas. O peixe prparado, alimento, relembra Nanã, o universo das águas e os elos imemoriais, as origens dos homens e dos outros deuses." Raul Lody



Foto Batata Doce

Oxumarê para os yorubás ou Dan, na línga fon. As comidas são à base de banana da terra e batata doce.



(II) - CARURU DE SÃO COSME E SÃO DAMIÃO

Cardápio votivo ou comidas ritualísticas.



Foto Benguê

Milho branco comum, bem cozido com açúcar. A massa é colocada em tigela de louça



Foto Mingau de Nanã

Alimento preparado com frinha de arroz cozida em água sem ervas nem temperos.


Foto: Oxoxô com Omolucum


Prato votivo oferecido a Logun, caçador e filho de Oxun. Come o que Oxossi e Oxun comem. Come misturado o Oxoxô com o Omolocum.



Foto Omolocum


Foto Omolucum


"É considerada a comida sagrada de Oxum. É feijão fradinho cozido, temperado com azeite-de-dendê, cebola, camarão e um pouco de sal. depois de pronto, é arrumada numa vasilha e enfeitada com ovos cozidos, símbolo por excelência de Oxum, da vida em potência".


Referências bibliográficas: SOUZA JÚNIOR, Vilson Caetano de. Usos e abusos das mulheres de saia e do ovo do azeite. Notas sobre a comida de orixá no terreiro de Candomblé. Dissertação em Ciências Sociais. Bblioteca Monte Alevre. PUC/SP, 1997.




(III) - CARURU DE SÃO COSME E SÃO DAMIÃO

Comidas votivas ou camidas ritualísticas.


Foto: Acarajé


Oyá ou Iansã, come akará (acarajé)


Foto: Abará


Foto: Frutas
Oxossi e Ossain, recebem todas as frutas


Foto Feijão de Omolu (Feijão preto)



Foto: Oxoxô

Milho cozido temperado com erva-doce e açúcar. Enfeita com pedaços de coco




REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:


Lima, Vivaldo da Costa. Cosme e Damião: oculto aos santos gêmeos no Brasil e na África. Salvador: Corrupio, 2005.

Lody, Raul. Santo também como, 2ª ed. Rio de Janeiro: Pallas, 1998.

Souza Júnior. Vilson Caetano de. Usos e abusos das mulheres de saia e do povo do azeite. Notas sobre a comida de xixá no terreiro de Candomble. Dissertação em Ciências Sociais. Biblioteca Monte Alevre. PUC/SP,1997.


terça-feira, 17 de agosto de 2010

Imandade de Nossa Senhora da Boa Morte - I

Realizada no mês de agosto de cada ano em Cachoeira, cidade do Recôncavo Baiano, a Festa da Boa Morte é uma das mais autênticas manifestações da cultura afro-brasileira na atualidade. Sua festa foi reconhecido pelo IPAC-Instituto do Patrimônio Artístico da Bahia, como patrimônio imaterial do Estado. Durante cinco dias, as irmãs da Boa Morte, promovem um grande espetáculo de fé. Festa de caráter profano-religioso onde as irmãs oferecem aos visitantes, beleza, comidas e muita animação do samba de roda.




Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte - II








Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte - III










Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte - IV