"Nem eu nem ninguém pode viajar essa estrada por você. Você deve atravessá-la sozinho"

Walt Whitman

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

As Cidades e a memória: Cachoeira, Ba.

Foto 01 - Vista panorâmica da Praça da Aclamação
A bela Cachoeira, no Recôncavo baiano, já esteve na linha de frente da história do Estado. Com um solo privilegiado para o plantio da cana-de-açúcar e sua localização estratégica, como entreposto, entre o sertão e a capital, a cidade chegou a ser apontada pelo imperador Dom Pedro II, autoridade máxima do Império do Brasil, como a futura metrópole nacional quando a presenteou com a ponte de ferro (Foto 2).

Um dos pontos turísticos mais fotografados na cidade, a ponte faz a ligação entre duas cidades, Cachoeira e São Felix (Foto 03). Com estrutura metálica importada da Inglaterra a ponte só ficou pronta no final do século 19. Em princípio, deveria ter sido destinada ao Rio Nilo, mas o imperador conseguiu prioridade na compra, diante do seu convencimento da importância comercial dessa região.

A decadência dos engenhos e, em seguida, da cultura de fumo empacou o desenvolvimento da promissora cidade da Bahia. Mas nas praças, nos becos, sobrados e nas igrejas, ainda se vêem vestígios do período áureo (Fotos 04 e 05). Proclamada com o titulo de Cidade Monumento Nacional em 1971, quando sobrados e prédios foram tombados; muitos casarios que compõem o conjunto arquitetônico ainda esperam a liberação de verbas destinadas a sua restauração.

No passado, a cidade foi sede do governo do Estado em duas ocasiões. A primeira, em junho de 1822, antecipou-se às lutas da independência do Brasil, dando inicio a uma rebelião que rapidamente se espalhou pelo Recôncavo. A segunda, em 1837, durante a sabinada, movimento que propunha a instauração de uma república independente na Bahia. Nas duas vezes, o prédio usado pelo governo foi a atual Câmara Municipal, que no passado funcionava também como cadeia, as chamadas Casa de Câmara e Cadeia (Foto 06). A cidade ainda se orgulha de duas filhas ilustres: Maria Quitéria, que se vestiu de homem para participar das lutas pela Independência, e Ana Neri, que trabalhou como enfermeira na Guerra do Paraguai (1864 – 1870).


Fonte: História da Cidade de Cachoeira de Francisco Jose de Mello, Editora Radomi.

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